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14 de julho de 2026

Do Delphi ao Java, minha história com código

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Antes de qualquer curso, antes da faculdade, tinha uma pilha de livros em cima da minha mesa. Eram livros de Delphi, comprados aos poucos porque era o que cabia no bolso, e cada um deles ensinava a construir uma aplicação inteira do zero: controle de estoque, financeiro, folha de pagamento. Eu não tinha dinheiro para curso, então os livros eram minha faculdade particular, e eu lia cada capítulo como quem monta um quebra-cabeça sem saber ainda qual seria a imagem final.

Fui aprendendo assim, sozinho, no tempo que dava. E o que era exercício de livro virou trabalho de verdade. Comecei a desenvolver aplicações para o mercado: sistema para academia, ponto eletrônico com biometria, e vários outros projetos que hoje mal lembro o nome, mas que na época significavam a prova de que aquilo tudo servia para algo. Eu era só um garoto com Delphi aberto e vontade de entender como as coisas funcionavam por trás da tela, mas já estava colocando código em produção, resolvendo problema real de gente real.

Entrei na faculdade já sabendo programar, o que parecia uma vantagem e, por um bom tempo, quase virou o motivo de eu desistir. Foi lá que conheci Java, e a primeira impressão não foi boa. Pesado, verboso, cheio de configuração para fazer a coisa mais simples funcionar. Comparado à objetividade que eu tinha em Delphi, Java parecia um obstáculo que eu não tinha certeza se valia a pena atravessar.

O que mudou isso foi um curso online de JSF, na DevMedia. Foi o primeiro contato real que tive com desenvolvimento web, e teve algo naqueles componentes ricos que me pegou de um jeito diferente. Não era mais só fazer o sistema funcionar, era ver a interface ganhar vida no navegador. E quando o PrimeFaces entrou na jogada, aquilo deixou de ser curiosidade e virou decisão: era ali que eu ia ficar.

Dali em diante não parei mais. Foram cursos atrás de cursos, cada um destravando uma camada nova da stack Java, até as tecnologias mais modernas chegarem, e eu continuei acompanhando, aprendendo, ajustando. Hoje sigo no Java, é onde construo tudo o que faço, incluindo o Tablify tablify.com.br, o sistema de gestão para restaurantes que venho desenvolvendo como projeto pessoal, em Java 21 e Spring Boot, nas horas que sobram do meu trabalho full-time.

Olhando para trás, sou grato ao Delphi. Foi ele quem me colocou no mercado antes mesmo de eu ter um diploma na mão, foi ele quem me ensinou que dava para aprender sozinho, com poucos recursos e muita teimosia. Mas foi no Java que eu me encontrei de verdade, e é nele que sigo até hoje, escrevendo sistemas, cometendo erros, corrigindo rota, e aprendendo que carreira boa não é sobre nunca quase desistir. É sobre não desistir mesmo quando quase desistiu.

Se quiser ver no que estou colocando essa bagagem hoje, escrevi sobre o Tablify, o SaaS de gestão para restaurantes que venho construindo nas horas vagas.